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16 de maio de 2020

Esqueçam a tecnologia e, por favor, pensem nas pessoas!

Rodrigo Pereira

Temas como #BigData#InteligênciaArtificial e #Analytics não saem da boca (e da cabeça) dos executivos das grandes empresas. Mas então, por que esse tema tão importante, que já havia tido sua importância alertada por Thomas Davenport em 2006 (https://hbr.org/2006/01/competing-on-analytics), não evolui na velocidade que deveria nas organizações?

A grande maioria das empresas continua olhando para a tecnologia e se esquecendo do principal fator que vai fazer de fato a roda girar e não parar mais: as pessoas. Esse pode parecer um movimento simples, mas está longe de o ser.

Contrata-se super heróis

Não é sair contratando cientistas de dados que vai resolver esse problema. Eles não são super heróis! Ao se deparar com a realidade, eles irão embora com a mesma velocidade com que chegaram. Brinco aqui com a nossa turma na A3Data que o cientista de dados é um ser “carente”, e eles concordam! Por mais que possa parecer brincadeira, não é. Como o próprio nome diz, Ciência de Dados é ciência e é algo complexo, e tem coisa melhor para um cientista do que trocar ideias com outras pessoas sobre o seu trabalho? A colaboração e pessoas que falam a mesma língua são fundamentais para que o cientista de dados se sinta bem onde está e, principalmente, evolua.

Então, voltemos às grandes empresas: vocês esperam mesmo que essa pessoa fique se a cultura está longe de ser a ideal? Não é à toa que movimentos como o acqui-hiring, em que grandes empresas compram outras especializadas em ciência de dados, vêm ganhando força. Essas aquisições não ocorrem pelos produtos ou projetos em si, mas pelo time e sua capacidade. O exemplo mais recente ocorreu aqui mesmo em BH, com a Hekima, que foi comprada pelo iFood no início desse ano (https://bit.ly/2QRt3qU)

Cientista de dados

Se o tema é cultural, a responsabilidade é de quem?

Assim, o tema dados deve ser enfrentado seriamente como um aspecto cultural, e estar enraizado no dia a dia das empresas. E cultura não se muda da noite pro dia.

A alfabetização em dados deve ser pauta dos C-levels e não pode estar auto-contida em áreas ou núcleos específicos. Deve permear toda a organização.

Um estudo da Delloite divulgado em julho de 2019, Analytics and AI-driven enterprises thrive in the Age of With, mostra que dois terços das empresas pesquisadas dependem de um grupo seleto de funcionários que foram treinados em análise ou ciência de dados. Os dados da pesquisa indicam que a disseminação da responsabilidade pela organização como um todo é mais eficaz do que a responsabilidade localizada. Foi constatado que 57% das empresas em que apenas os membros principais de cada equipe são responsáveis pela análise excederam as suas metas de negócios, enquanto 82% das empresas em que todos os funcionários são responsáveis superaram suas metas.

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O que fazer então?

Então, aqui vão algumas perguntas que passam longe das ferramentas e focam nelas, as pessoas:

  • Os líderes da sua organização são fortemente orientados a dados? Se não são, como podemos esperar que os times cada vez mais sejam cobrados/ induzidos a apresentarem análises para a tomada de decisão? Isso vale desde os C-levels, passando pelos gerentes, até os níveis de coordenação/ supervisão.
  • Nas avaliações de desempenho individuais são levadas em conta as análises que foram realizadas pelo profissional e suas respectivas complexidades? A capacitação analítica faz parte do PDI dos seus colaboradores? Se esse tema é mesmo importante para a empresa, porque não considerá-lo nas metas e também nos planos de desenvolvimento das pessoas?
  • Existe um plano formal (e abrangente) de treinamentos em temas como estatística básica, análises descritivas, self-service BI, storytelling e outros? Pessoalmente, sou da linha de que as pessoas devem ser protagonistas de seu desenvolvimento, mas mesmo se a empresa for investir zero em treinamentos (o que acho radical em qualquer cenário), porque não orientar as pessoas sobre o que se espera delas e dar exemplos de cursos presenciais e online que podem fazer a diferença?
  • Ao contratar profissionais, desde os analistas até executivos, como é avaliada a sua capacidade analítica? Este tema é abordado nas entrevistas? São aplicados testes para mensurar o raciocínio lógico?
  • As pessoas que desenvolvem trabalhos analíticos relevantes têm o resultado divulgado e reconhecido? Isso é aprovação social. A partir do momento em que os colaboradores entendem que trabahos com dados dão visibilidade e veem o que os colegas estão fazendo ser reconhecido, o fator motivacional aumenta, e muito.
  • Para que as pessoas pratiquem de fato análises no dia a dia, é preciso que elas tenham dados. Óbvio não é? Mas existe uma política e processos claros de governança dos dados em sua organização? Como confiar os dados certos às pessoas certas?

Uma coisa é certa: o trabalho é árduo, mas os resultados virão

Essas perguntas são apenas um pequeno roteiro para uma reflexão, mas existem inúmeros outros exemplos. Mas o principal fato é que as organizações que realmente conseguiram fazer essa virada cultural estão ganhando muita vantagem competitiva. O mesmo estudo da Delloite mostra que as organizações com uma forte cultura analítica são duas vezes mais propensas a superarem significativamente suas metas de negócio do que as que possuem uma cultura fraca em relação aos dados.

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E o que estamos fazendo na A3Data?

Analytics e Inteligência Artificial estão no nosso sangue, é o que respiramos no nosso dia a dia. Mas só a nossa excelência técnica não é o suficiente para sermos um player realmente relevante. E aqui, de novo voltamos a elas: as pessoas!

Nos nossos processos seletivos mensurar a parte técnica é o mais fácil. Damos uma atenção mais do que especial às soft skills das pessoas que querem trabalhar aqui. Não adianta ser bom tecnicamente, e não ter auto gestão, autonomia, espírito de time e, principalmente, não se enxergar como dono do negócio. Isso mesmo, dono! Implantamos aqui um modelo que denominamos Sociedade Dinâmica, em que qualquer profissional da nossa empresa pode um dia se tornar nosso sócio. Para isso, ele deve ter uma alta performance e um grande fit cultural com os nossos valores. E olhem a palavrinha cultura aparecendo aí de novo! Concordam que as cartas estão na mesa, e basta querer?

E é assim que nos tornamos, atualmente, a maior empresa de ciência de dados de Minas Gerais, atuando em clientes como FCA (que inclui as marcas Fiat e Jeep), Localiza, Hermes Pardini, Take, Cemig, Algar, Fundação Dom Cabral, Iveco, Banco Fidis, e tantos outros. E continuamos sonhando alto, porque não sermos a maior do Brasil?

Temos um forte propósito, que é empoderar as pessoas por meio dos dados. É por esse motivo que acordamos todos os dias e vamos felizes para o nosso trabalho.

Esse propósito é tão forte que é até difícil de explicar. Funciona para o nosso próprio time, que se desenvolve a uma velocidade alucinante, e serve para os nossos clientes, afinal, a I.A. que levamos para eles vem para somar, e não para substituir.

E é colocando o ser humano no centro de todas as nossas decisões e projetos que estamos fazendo a virada cultural dos nossos clientes, que é o tema central desse artigo. Fazemos os nossos projetos COM eles, e não PARA eles. Transferindo know how de verdade, ensinando-os a fazer. Ajudando-os a contratar os tão sonhados cientistas de dados, mas nunca os deixando sozinhos.

E para que isso tudo aconteça, contamos com um time multidisciplinar, que se completa, que tem paixão pelo que faz, que vive as dores dos nossos clientes. Um time com cientistas de dados, engenheiros de dados, mas com formações diversas como Estatística, Computação, Marketing, Engenharia, Sociologia, Psicologia, Comportamento do Consumidor e tantas outras. Um time em que todos são loucos por dados mas, acima de tudo, apaixonados por gente!

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